Waldemir Barreto | Agência Senado

As negociações para a formação da chapa governista que disputará as eleições deste ano na Bahia ganharam um novo e relevante capítulo. O presidente do PSD no estado, senador Otto Alencar, revelou a possibilidade de o partido lançar a candidatura à reeleição do senador Angelo Coronel (PSD) de forma avulsa, mesmo sem compor a chapa majoritária ao Senado com o PT. A declaração foi dada durante entrevista a uma rádio de Itabuna, na manhã deste sábado (17).

Segundo Otto, a estratégia partiu do próprio Coronel e foi discutida em reunião interna. O dirigente deixou claro que o PSD não apenas garante a legenda, como também oferecerá total apoio político à tentativa de reeleição do senador.

“O partido jamais negaria o direito dele sair candidato a senador pelo partido. Ele é membro do partido, um dos fundadores comigo. Ele terá o direito total de sair candidato pelo PSD, sem nenhuma dúvida. Inclusive foi ele que, conversando comigo, sugeriu essa ideia. Eu disse a ele que jamais negaria isso”, afirmou Otto Alencar.

O senador reforçou que a decisão final cabe a Angelo Coronel, mas assegurou que o partido está preparado para sustentar a candidatura.

“O partido tem a possibilidade, oferece a ele a oportunidade firme de ter a legenda, de sair pela legenda, de dar o apoio que precisa dar. Isso é muito firme, muito tranquilo. Quem me conhece sabe que eu dou a palavra para cumprir”, completou.

Apesar da possibilidade de candidatura independente ao Senado, Otto Alencar garantiu que o PSD seguirá alinhado ao projeto de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

“Nós fechamos aqui para a reeleição do governador Jerônimo. O partido coliga para governador, mas não coliga para o Senado”, explicou.

Chapa “puro-sangue” gera tensão na base

A movimentação do PSD ocorre em meio às articulações do PT para montar uma chamada “chapa puro-sangue”, formada exclusivamente por quadros do partido. O desenho em debate prevê Jerônimo Rodrigues na disputa pela reeleição ao governo e, para o Senado, as candidaturas do senador Jaques Wagner e do ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Caso se confirme, a formação deixaria Angelo Coronel fora da chapa majoritária, cenário que tem causado desconforto entre aliados. A resistência não se limita ao PSD. No MDB, o ex-ministro Geddel Vieira Lima também manifestou preocupação com a estratégia petista.

“Me preocupa essa noção de que, por mais forte que seja uma chapa, se despreze o fato de serem todos do mesmo espectro. Os votos estão dentro da mesma corrente. O voto do MDB não pode ser ignorado”, afirmou Geddel em entrevista ao BNews.