A mandioca continua sendo uma das culturas agrícolas mais importantes para o sustento de famílias que vivem na zona rural do Recôncavo Baiano. Em municípios como Jaguaripe, Nazaré e Aratuípe, o plantio da raiz representa geração de renda, segurança alimentar e preservação de uma atividade transmitida entre diferentes gerações.

Além de ser comercializada diretamente nas feiras livres, a mandioca é utilizada na produção de farinha, beiju, tapioca, goma e outros alimentos presentes diariamente na mesa da população.

A atividade também movimenta trabalhadores envolvidos no plantio, na colheita, no transporte, no processamento e na comercialização dos produtos.

Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, com base em informações do IBGE, mostram que o Território de Identidade do Recôncavo produziu aproximadamente 74,8 mil toneladas de mandioca em 2022.

A produção movimentou cerca de R$ 51,2 milhões e correspondeu a 10,7% de toda a mandioca produzida na Bahia naquele ano.

Produção presente nas comunidades rurais

Em Jaguaripe, a cultura da mandioca está fortemente presente nas comunidades rurais, especialmente na região do Palma.

A localidade reúne agricultores familiares, produtores independentes e associações que trabalham com diferentes atividades do campo.

A importância da agricultura familiar no Palma já foi destacada durante a Feira da Agricultura Familiar de Jaguaripe, realizada na comunidade com a participação de associações e produtores rurais do município.

Parte da mandioca cultivada nessas comunidades é transformada nas tradicionais casas de farinha.

Esses espaços não funcionam apenas como locais de produção, mas também como ambientes de convivência, cooperação e transmissão de conhecimentos entre pais, filhos e demais integrantes das famílias.

Nazaré mantém ligação histórica com a farinha

Em Nazaré, município historicamente conhecido como “Nazaré das Farinhas” , a mandioca também possui grande importância econômica e cultural.

A cidade integra a região tradicionalmente ligada à produção da farinha de Copioba, reconhecida por sua textura crocante, coloração amarelada e método artesanal de fabricação.

Nas comunidades rurais, parte da mandioca é levada para as casas de farinha, onde passa pelas etapas de descascamento, moagem, prensagem, peneiramento e torra.

A produção também contribui para movimentar feiras, pequenos comércios e famílias que dependem diretamente da atividade.

Além do valor econômico, a farinha permanece ligada à história, à culinária e à identidade cultural do município.

Aratuípe também preserva a tradição

Aratuípe também está entre os municípios do Recôncavo relacionados à produção tradicional de farinha de mandioca e farinha de Copioba.

A atividade permanece ligada principalmente à agricultura familiar e ao trabalho desenvolvido em pequenas propriedades rurais.

A produção abastece casas de farinha, feiras livres, mercados e pequenos estabelecimentos comerciais, contribuindo para a circulação de renda dentro das comunidades.

Para muitos produtores, a mandioca ajuda no pagamento das despesas domésticas, na manutenção das propriedades e na compra de alimentos.

Parte da colheita também é destinada ao consumo das próprias famílias, enquanto o restante é comercializado ou transformado em diferentes produtos.

Sustento que começa na roça

A cadeia produtiva da mandioca vai muito além do agricultor responsável pelo plantio.

O trabalho envolve pessoas que atuam na colheita, no transporte, no descascamento, na moagem, na prensagem, na peneiração, na torra, na embalagem e na venda da farinha.

Com isso, uma única plantação pode movimentar o trabalho de várias pessoas dentro de uma comunidade.

A atividade também contribui para a segurança alimentar, já que parte do que é produzido permanece nas próprias localidades.

Em muitas famílias, o conhecimento sobre o cultivo e o preparo da mandioca passa de pais para filhos, mantendo viva uma tradição rural que atravessa gerações.

Número atual de produtores ainda é desconhecido

Apesar da relevância econômica da atividade, ainda não existe um levantamento público atualizado informando exatamente quantos produtores de mandioca trabalham atualmente em Jaguaripe, Nazaré e Aratuípe.

O levantamento oficial mais abrangente continua sendo o Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A pesquisa reúne informações sobre estabelecimentos agropecuários, produção vegetal, mão de obra e características dos produtores, com resultados disponíveis por município.

Mesmo sem um número atualizado, a presença da mandioca nas feiras, nas casas de farinha e nas comunidades rurais mostra que a raiz continua sendo fonte de sustento, trabalho e identidade para muitas famílias do Recôncavo Baiano.