As famílias brasileiras acumularam perdas estimadas em R$ 62,5 bilhões com apostas esportivas e jogos online ao longo de 2025.

O dado faz parte da terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, o Comsefaz, em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.

O valor representa a diferença entre o total enviado pelos usuários às plataformas e o dinheiro devolvido pelas empresas em forma de prêmios. Segundo o levantamento, essa saída líquida correspondeu a aproximadamente 0,68% da renda disponível das famílias brasileiras.

No mesmo período, as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências realizadas por meio do Pix, durante o primeiro ano completo de funcionamento do mercado regulamentado no país.

Os pesquisadores destacam que o crescimento das apostas já produz efeitos concretos no orçamento doméstico. Parte da renda que poderia ser destinada a alimentação, moradia, saúde, educação ou pagamento de dívidas acaba direcionada a um setor no qual uma parcela significativa do dinheiro não retorna aos jogadores.

O estudo também analisou os reflexos da proibição de apostas por beneficiários do Bolsa Família. Após a restrição, houve redução no ritmo de crescimento das transações, indicando que famílias de menor renda possuíam participação relevante nesse mercado.

Para os responsáveis pelo boletim, o dado reforça a vulnerabilidade financeira de parte da população e o risco de comprometimento de recursos destinados às despesas básicas.

A recomendação é que as apostas não sejam tratadas como investimento ou fonte de renda. Os usuários também devem evitar utilizar dinheiro reservado para contas essenciais, empréstimos ou limites de cartão.

Os números mostram que, por trás do grande volume movimentado pelas plataformas, existe um impacto direto sobre o orçamento de milhões de famílias brasileiras.