Dormir muitas horas nem sempre significa descansar bem. Segundo o neurologista Conrado Estol, a qualidade do sono depende de hábitos que vão além do tempo passado na cama. O especialista destaca três fatores fundamentais para um descanso reparador: regularidade dos horários, estabilidade da rotina e eficiência do sono.
De acordo com o médico, quase 40% da população dorme menos do que o necessário. O problema merece atenção porque a privação de sono pode comprometer a saúde física, a memória, a concentração e o equilíbrio emocional.
O primeiro cuidado é procurar dormir e acordar aproximadamente nos mesmos horários, inclusive aos fins de semana. Segundo Estol, a regularidade ajuda a manter o relógio biológico ajustado e favorece o funcionamento do organismo. O segundo ponto está relacionado às alterações nos horários de descanso entre os dias úteis e os fins de semana.
Dormir e acordar muito mais tarde aos sábados e domingos pode dificultar o despertar na segunda-feira. O neurologista também relaciona essa irregularidade a possíveis consequências para a saúde mental. O terceiro pilar é a qualidade do descanso, medida pela proporção do tempo em que a pessoa realmente dorme enquanto está na cama.
Segundo o especialista, uma eficiência de 85% ou mais é considerada uma boa referência. Isso significa que alguém que permanece oito horas na cama deveria conseguir dormir por pelo menos seis horas e 48 minutos, embora a duração total necessária de sono também precise ser considerada. Outro ponto destacado pelo neurologista é a rapidez para adormecer. Embora muitas pessoas considerem positivo pegar no sono imediatamente, isso também pode indicar privação acumulada de descanso.
Estol explica que adormecer em menos de cinco minutos, especialmente quando isso acontece frequentemente, pode ser um sinal de déficit de sono. Segundo ele, um intervalo de aproximadamente 10 a 15 minutos para adormecer é uma referência comum, mas existe variação individual.
O neurologista também chama atenção para as alterações do sono durante o envelhecimento. Conforme os dados apresentados por ele, entre pessoas com mais de 65 anos, 15% enfrentam dificuldades para adormecer, 20% têm problemas para manter o sono e 35% acordam muito cedo.
A recomendação é observar não apenas quantas horas se dorme, mas também a regularidade, os despertares noturnos e a disposição durante o dia. Quando as dificuldades para dormir são frequentes ou prejudicam as atividades diárias, é indicado procurar avaliação médica para identificar possíveis causas e receber orientação adequada.
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