Medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, estão sendo estudados como possíveis alternativas para auxiliar pessoas com dependência de álcool e outras drogas. Pesquisas recentes identificaram resultados promissores, mas especialistas alertam que ainda não há evidências suficientes para recomendar esses medicamentos especificamente para essa finalidade.
Entre as substâncias investigadas estão a semaglutida e a tirzepatida, que atuam em mecanismos relacionados à saciedade e ao controle da glicose. Os pesquisadores buscam compreender se esses medicamentos também podem influenciar regiões do cérebro ligadas à sensação de recompensa e ao desejo de consumir substâncias.
Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ) analisou dados de aproximadamente 600 mil veteranos das Forças Armadas dos Estados Unidos com diabetes tipo 2. Os resultados identificaram uma associação entre o uso desses medicamentos e um menor risco de desenvolver transtornos relacionados ao consumo de álcool, cocaína, nicotina e opioides.
Outra pesquisa, realizada durante 26 semanas, avaliou a semaglutida em pessoas com transtorno por uso de álcool. Entre os participantes que receberam o medicamento, houve uma redução de 41% nos dias de consumo excessivo de bebidas alcoólicas, enquanto o grupo que recebeu placebo apresentou redução de 26%.
Os resultados despertaram o interesse de especialistas em dependência química. Uma das hipóteses investigadas é que esses medicamentos possam interferir nos circuitos cerebrais relacionados à recompensa, diminuindo o impulso pelo consumo de álcool e outras drogas.
A indústria farmacêutica Eli Lilly também desenvolve pesquisas com uma molécula experimental chamada brenipatida, para avaliar seu possível uso no tratamento do transtorno por consumo de álcool. Os resultados são esperados para 2028.
Apesar das descobertas, as canetas emagrecedoras ainda não possuem aprovação específica para tratar alcoolismo ou dependência de outras drogas. Especialistas ressaltam que os estudos precisam avançar para esclarecer a eficácia, os riscos e quais pacientes poderiam se beneficiar.
O uso desses medicamentos não deve substituir tratamentos já estabelecidos para dependência química. A orientação é que qualquer possibilidade de utilização seja avaliada por profissionais de saúde, considerando as condições e necessidades de cada paciente.
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