Neste domingo (11), Dia do Teatro Municipal, Nazaré, no Recôncavo Baiano, tem um motivo especial para recordar sua história cultural. O município abriga o Cine Teatro Rio Branco, fundado em 1927 e considerado um dos cinemas mais antigos do Brasil. O prédio, localizado na Rua Padre Antunes, integra o Centro Histórico da cidade e completa 99 anos de existência em novembro de 2026.

O Cine Rio Branco foi fundado pelo nazareno Felisberto Ribeiro Soares, apaixonado por cinema, e inaugurado em 11 de novembro de 1927, conforme registros históricos locais. Construído especialmente para abrigar apresentações cinematográficas, o edifício se tornou um dos espaços culturais mais conhecidos da região.

A criação do cinema foi uma iniciativa de Felisberto Ribeiro Soares, integrante da família Ribeiro Soares, que manteve a propriedade por décadas. Após sua morte, em 1953, o imóvel passou para sua esposa, Cursina Ribeiro Soares, e posteriormente para as quatro filhas do casal: Aidil, Denise, Margarida e Norma.

A construção apresenta características do estilo art nouveau, pouco comum no Nordeste brasileiro. O prédio possui dois pavimentos, galeria superior em formato de ferradura, elementos decorativos e pinturas florais atribuídas ao artista Durval Bramont.

Outro detalhe é a estrutura interna, que conserva características dos antigos teatros, incluindo elementos de madeira e referências arquitetônicas dos teatros italianos. A capacidade histórica registrada é de aproximadamente 670 espectadores.

Embora tenha sido construído originalmente para funcionar como cinema, o Rio Branco também recebeu espetáculos musicais e apresentações artísticas, consolidando sua identidade como cine-teatro.

Entre os nomes conhecidos que passaram pelo palco estão Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Waldick Soriano e Dalva de Oliveira. As apresentações fizeram do espaço um ponto de encontro para diferentes gerações de moradores de Nazaré e cidades vizinhas.

Entretanto, o funcionamento não foi contínuo. Entre as décadas de 1970 e 1990, o cinema enfrentou dificuldades financeiras, problemas de manutenção e períodos de fechamento. A deterioração da estrutura chegou a ameaçar a preservação do edifício.

Uma das passagens mais conhecidas da história do Cine Rio Branco envolve o ex-jogador de futebol Vampeta, natural de Nazaré.

No final da década de 1990, quando o imóvel enfrentava problemas estruturais e havia a possibilidade de ser vendido para uma igreja, o jogador decidiu comprar o prédio para preservar sua utilização cultural.

Parte dos recursos utilizados na aquisição veio de um ensaio fotográfico realizado pelo atleta para a revista G Magazine, em 1999. Segundo reportagens da época, Vampeta pagou cerca de R$ 80 mil pelo imóvel e investiu outros recursos na recuperação do cinema.

A reinauguração aconteceu em 16 de junho de 2000, com a presença de personalidades como Ronaldo Fenômeno, o então governador César Borges e o senador Antônio Carlos Magalhães.

A cerimônia também contou com a presença de Nelson Santiago, então com 94 anos, que havia trabalhado na construção original do cinema e pôde acompanhar sua reabertura mais de sete décadas depois.

A trajetória do Cine Rio Branco ultrapassou as paredes do próprio edifício e passou a ser retratada em produções audiovisuais.

Em 2024, a Fundação Cultural do Estado da Bahia divulgou a produção do documentário Quando a Sala de Projeção Vira Personagem, dirigido por Eudaldo Monção Jr. O projeto reúne histórias e curiosidades relacionadas ao cinema e à própria cidade de Nazaré.

Apesar de sua relevância cultural, o Rio Branco já passou por diferentes fases de funcionamento, e seu uso atual não corresponde à programação regular de um cinema comercial. Reportagens recentes apontam atividades restritas, especialmente voltadas ao público escolar.

Neste Dia do Teatro Municipal, a história do Cine Teatro Rio Branco chama atenção para a preservação dos espaços culturais e para a importância de manter viva a memória de Nazaré. Em 11 de novembro, o prédio completa 99 anos, aproximando-se de seu centenário, em 2027.